O tempo é mesmo uma coisa curiosa.
Em uma jornada arqueológica em busca de carteados e um poncho, revi fotos, objetos antigos e empoeirados, a vida encaixotada.
Se me dissessem à alguns anos que os C., meu antigo grupos de amigos, tomaria rumos tão distintos... eu não acreditaria.
M. iria para os Estados Unidos e ficaria por lá. X. se casaria com K, se divorciaria por ter um filho com K2, ex namorada de S., que sumiria depois de tamanha traição. Y. sumiria e pararia até de ligar sempre pedindo alguma coisa. L. engravidaria. T. começaria a namorar ainda nos tempos da Lan House e hoje em dia estaria solteiro. Eu mudaria de bairro bagunçando completamente a minha vida, e me distanciando de todas essas pessoas de uma maneira ou de outra.
Deixaríamos de ir para aquela cidade no Litoral que enxugou tantas lágrimas nossas.
Se dissessem que um de meus melhores amigos, X., acabaria da maneira que está... e que F., outro dos meus melhores amigos, sumiria...
Eu não acreditaria em tudo isso. Mas também não acreditaria que iria encontrar a felicidade nos braços daquela por quem eu torcia o pescoço na faculdade que eu achava que iria terminar, antes de todas aquelas decisões complicadas e escolhas erradas que fiz na vida. Mas do lodo nasce a Lótus, não é mesmo?
Acho que todos fazemos escolhas erradas. E elas sempre afetam aqueles à nossa volta, mas principalmente a nós mesmos. Pois somos todos interdependentes, a grande rede de Indra, a causalidade. E esse grupo ter se desmanchado mostra como é verdadeiro o princípio da impermanência. Tudo o que existe está sujeito à transformação.
Seria triste, então, esse princípio? Vou deixar as pessoas queridas um dia? tudo se desmancha em nada?
Certamente não. Tudo se transforma, mas afetado pelas nossas decisões. É como virar na esquina errada, fazer uma conversão antes da hora, ou tarde demais.
Lembre-se sempre de pegar o retorno. Enquanto o carro da sua vida transitar pelas estradas do Samsara, use o GPS do bom senso e da espiritualidade para seguir o caminho correto, o Dharma.
E leve na bagagem só o que for bom. Porque se ficar pesado demais com seus apegos, você não sai do lugar.
ouvindo Jack Johnson - Wrong Turn
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